Cuida das palavras que deixas pelo caminho.

Publicado em 11 de setembro de 2026 às 18:00

Hoje gostava de conversar contigo sobre uma coisa à qual nem sempre damos a importância que merece: as palavras que usamos todos os dias.


Falamos tanto que podemos esquecer-nos do peso daquilo que dizemos. Há palavras que saem num segundo, quase automaticamente, no meio do cansaço, de uma zanga ou simplesmente por hábito. Dizemo-las sobre nós próprias, sobre o nosso trabalho, sobre a casa onde vivemos, sobre as pessoas que fazem parte da nossa vida e até sobre o futuro que ainda estamos a construir.

E depois continuamos o dia como se aquelas palavras tivessem desaparecido no momento em que deixaram a nossa boca, mas as palavras não desaparecem assim tão facilmente.

Algumas ficam no coração de quem as ouviu. Outras permanecem dentro de nós e, de tanto serem repetidas, começam a fazer parte da maneira como nos vemos. Há ainda aquelas que mudam silenciosamente o ambiente onde são ditas. Basta pensarmos na diferença que sentimos ao entrar num lugar onde as pessoas comunicam constantemente através da crítica, da agressividade e da desvalorização ou num espaço onde existe respeito, cuidado e gentileza.

As palavras também carregam energia.

Não digo isto no sentido de acreditarmos que uma frase isolada vai determinar magicamente aquilo que nos acontecerá. Falo da energia que construímos através daquilo que 'alimentamos' todos os dias. Se repetimos constantemente que somos incapazes, que odiamos a nossa vida, que nada vai resultar, que o nosso trabalho é horrível ou que tudo à nossa volta está errado, essas palavras começam a ocupar espaço dentro de nós. Influenciam o nosso estado emocional, a nossa disposição, a forma como entramos nos lugares e até aquilo que conseguimos reconhecer quando alguma coisa boa acontece.

Por isso, penso muitas vezes nas palavras como pequenos 'bumerangues'.

Lançamo-las, mas alguma coisa delas fica sempre connosco.

Podemos esquecer uma frase cruel que dissemos num momento de irritação enquanto a pessoa que a recebeu continua a recordá-la anos depois. Também podemos dizer a alguém uma coisa bonita aparentemente insignificante e nunca chegar a saber que aquela frase apareceu precisamente num dia em que essa pessoa precisava desesperadamente de ouvi-la.

É por isso que cuidar das palavras também é uma forma de cuidar da nossa energia e da energia que deixamos nos lugares por onde passamos.

Não temos de transformar tudo em positividade nem fingir que gostamos daquilo que nos faz mal. Podemos dizer que estamos cansadas, reconhecer que alguma coisa nos magoa, admitir que um lugar já não nos faz bem ou expressar raiva quando ela existe. Cuidar das palavras não significa silenciar emoções difíceis. É sobre perceber que existe distinção entre expressarmos aquilo que sentimos e alimentarmos diariamente uma linguagem que nos destrói por dentro ou fere constantemente quem está à nossa volta.

As atitudes continuarão a importar e os gestos também. Aquilo que fazemos diz muito sobre nós, mas as palavras fazem também parte daquilo que somos.

Podem aproximar, acalmar, incentivar, reconhecer, agradecer e fazer alguém sentir-se visto. Também conseguem diminuir, humilhar, ferir e deixar marcas que nenhum pedido de desculpa consegue apagar completamente.

Então hoje quero deixar-te apenas este lembrete:

Cuida das palavras que escolhes para falar contigo. Cuida daquelas que deixas na tua casa, no teu trabalho e no coração das pessoas que passam pela tua vida.

Que elas levem verdade, mas também consciência. Que carreguem respeito, amor, dedicação, amizade e gentileza sempre que isso estiver nas tuas mãos.

Afinal, nunca sabemos durante quanto tempo uma palavra continuará a viver depois de ter sido dita.

Bárbara Pereira 

 

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