Há escolhas que repetimos mesmo depois da experiência já nos ter mostrado que podem não ser as melhores para nós.
Voltamos a tentar, escolhemos novamente um caminho parecido, insistimos numa ideia, damos outra oportunidade a uma conexão ou procuramos uma solução diferente para um problema que já conhecemos. Visto de fora, pode parecer que não aprendemos. E nós próprias podemos olhar para trás e perguntar por que razão fomos novamente por ali quando já sabíamos que da última vez não correu bem. Mas tenho pensado que nem todas essas repetições nascem apenas da incapacidade de aprender com os nossos erros. Algumas nascem da esperança.
Da nossa capacidade de acreditar que uma história pode ter um final diferente, que uma pessoa pode agir de outra forma, que uma conversa pode finalmente ser compreendida, que aquilo que ontem não resultou pode encontrar hoje uma solução que ainda não tínhamos conseguido ver. É profundamente humano esta vontade de tentar mais uma vez, sobretudo quando sabemos que existem coisas que podem mudar, relações que podem amadurecer, problemas que encontram solução e caminhos que só aparecem depois de muitas tentativas. Por isso, nem sempre quero olhar para as minhas escolhas repetidas apenas com arrependimento.
Repetir uma escolha nem sempre significa repetir exactamente a mesma história. Nós também mudamos entre uma tentativa e outra.
Aprendemos, adquirimos experiência, percebemos onde falhamos, conhecemos melhor os nossos limites e encontramos recursos que antes ainda não tínhamos. As circunstâncias podem ter mudado, o momento pode ser outro e aquilo que ontem não conseguimos resolver pode encontrar hoje uma possibilidade diferente.
E é muito bonita esta capacidade de voltarmos a acreditar. Não o fazemos necessariamente por teimosia ou por uma estranha vontade de escolher aquilo que nos faz mal. Fazemo-lo também porque sabemos, através da própria vida, que nem tudo aquilo que falhou uma vez está condenado a falhar para sempre. Projectos resultam numa segunda tentativa. Decisões que num determinado momento não fizeram sentido podem fazer noutro. Problemas aparentemente impossíveis encontram soluções inesperadas. Há caminhos que percorremos novamente com outros olhos e descobrimos neles coisas que antes ainda não conseguíamos ver.
Gosto dessa nossa capacidade de não desistirmos à primeira derrota. Contudo, existe um ponto importante no meio de tudo isto: acreditar que podemos encontrar um resultado diferente não significa que tenhamos poder para mudar todas as variáveis envolvidas.
Podemos preparar-nos melhor, escolher de outra forma, corrigir aquilo que aprendemos com a experiência e fazer tudo aquilo que está ao nosso alcance. Depois existe uma parte da vida que simplesmente não controlamos. Circunstâncias mudam sem nos pedir autorização, surgem obstáculos que não prevíamos e algumas coisas dependem de factores sobre os quais a nossa vontade não tem qualquer poder.
É aqui que precisamos de aprender a fazer a distinção entre persistência e desgaste.
Voltar a tentar pode ser coragem. Insistir indefinidamente apenas por não conseguirmos aceitar que alguma coisa não depende de nós pode acabar por nos manter demasiado tempo no mesmo lugar.
Por isso, não quero olhar para todas as escolhas que repeti e chamar-lhes erros.
Algumas foram esperança. Outras foram coragem. Houve aquelas em que precisava de confirmar por mim própria que tinha feito tudo aquilo que estava ao meu alcance. E certamente existirão também escolhas que repetirei no futuro simplesmente porque continuarei a acreditar que uma tentativa anterior não determina obrigatoriamente aquilo que acontecerá na próxima.
Só quero aprender a levar comigo uma pergunta:
Ainda existe alguma coisa que eu possa fazer diferente ou estou apenas a tentar controlar aquilo que já não depende de mim?
A resposta pode mudar completamente o significado de tentar outra vez.
P.s.: para o teu
Não chames imediatamente erro a todas as vezes em que tentaste novamente. Algumas foram apenas esperança com mais experiência.
Bárbara Pereira
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