Hoje quero falar-te sobre energia.

Publicado em 12 de setembro de 2026 às 17:06

Sim, entendeste bem. Energia. Uma palavra que ouvimos tantas vezes associada a pensamentos positivos, a atrair coisas boas, a rodearmo-nos de pessoas que nos fazem bem e a procurarmos tudo aquilo que nos ajuda a sentir mais leves. E tudo isso é importante. Mas há uma parte desta conversa sobre a qual penso que falamos muito menos: não basta preocuparmo-nos com a energia que queremos trazer para a nossa vida se continuarmos a desperdiçar aquela que já temos.


Já pensaste na quantidade de energia que gastamos diariamente em coisas que não nos acrescentam absolutamente nada?

Discussões que se prolongam apenas para provar quem tem razão. Zangas que carregamos durante dias. Palavras que repetimos mentalmente muito depois de terem sido ditas. Conversas que já terminaram, mas que continuamos a ter dentro da nossa cabeça. Orgulho que nos impede de resolver aquilo que poderia ser tão simples. Pessoas que nos desestabilizam e às quais continuamos a oferecer horas dos nossos pensamentos. Situações insignificantes que recebem de nós uma importância muito maior do que alguma vez mereceram.

Tudo isso consome energia. E cuidar da nossa energia também começa por escolher onde ela merece ser colocada.

Há provocações que não precisam da nossa resposta e desentendimentos que só se transformam em batalhas quando continuamos a alimentá-los. Podemos sentir vontade de explicar o nosso lado, de sermos compreendidas ou de corrigir a ideia que alguém criou sobre nós, mas chega um momento em que precisamos de perceber quanto nos está a custar essa insistência. Não podemos controlar aquilo que os outros pensam, fazem ou escolhem ver, e continuar a gastar a nossa energia a tentar fazê-lo pode roubar-nos muito mais do que aquilo que alguma vez conseguiremos mudar.

Maturidade também pode ser perceber que ter razão nem sempre vale a paz que gastamos para prová-la.

A nossa energia é limitada. Precisamos dela para os nossos sonhos, para as pessoas que amamos, para o trabalho que queremos construir, para cuidar de nós, para começar novamente quando alguma coisa corre mal e para aqueles dias em que simplesmente precisamos de força para continuar.

Por isso, tenho pensado que proteger a nossa energia não passa apenas por procurar aquilo que nos faz bem. Passa também por deixar de alimentar aquilo que nos faz mal.

Há batalhas das quais não precisamos de sair vencedores. Precisamos apenas de sair. E guardar a nossa energia para tudo aquilo que ainda queremos fazer crescer dentro e fora de nós.

Bárbara Pereira 

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