Não estás a fugir. Tu estás a sair em paz. E isso, meu amor, é um nível de maturidade emocional que nem toda a gente alcança. Durante muito tempo ensinaram-nos que sair de um lugar tem de ser dramático.
Ou com guerra.
Ou com escândalo.
Ou com portas a bater.
Ou com frases épicas dignas de final de novela.
Mas a vida, quando começa a ser vivida com consciência, pede outra coisa: pede silêncio bom, coluna direita e coração leve.
Sair a mal deixa marcas.
Sair em paz fecha ciclos.
E nem sempre sair em paz significa que não doeu. Significa apenas que decidiste não transformar a dor em veneno para o caminho seguinte.
Porque há um tipo de maturidade que não grita. Não acusa. Não arrasta o passado atrás de si como uma mala rota no aeroporto da vida.
Há pessoas que saem a fazer inventário de tudo o que sofreram.
E depois levam isso para a relação seguinte.
Para o trabalho seguinte.
Para a amizade seguinte.
Para dentro de si, todos os dias.
E há quem diga assim, em silêncio:
“Chega. Isto acaba aqui.”
Sem sangue nas mãos.
Sem discursos inflamados.
Sem necessidade de provar nada a ninguém.
Porque a verdadeira maturidade não está em sair a fazer justiça. Está em sair a fazer paz.
Levar bagagem emocional de raiva, de ressentimento, de frustração, é como tentar recomeçar a vida com um saco de lixo às costas e chamar-lhe “experiência”.
Experiência não é trauma. Experiência é aprendizagem.
E aprender dói, mas não precisa de apodrecer dentro de nós.
Tu não estás a negar o que viveste. Tu estás a escolher não viver eternamente a partir disso.
Isso chama-se crescimento.
Há despedidas que são limpas. Sem ódio. Sem vingança. Só com aquela saudade tranquila do que foi… e a clareza de que já não cabe.
E sabes o que é mais bonito nisto tudo?
É que quando sais em paz, não precisas de olhar para trás para confirmar se foi a decisão certa.
O corpo já sabe.
A alma já descansou.
E o coração respira como quem diz: “Obrigada. Agora sim.”
💛 Leva para a vida: tu não estás a fugir.
Estás a sair leve o suficiente para finalmente ires longe.
Sair a mal é reação. Sair em paz é evolução.
Porque agora há essa moda maravilhosa de chamar “trauma” a tudo: ao ex que não respondeu, ao chefe que pediu resultados, à vida que não obedeceu ao guião mental. Experiência virou palavrão, responsabilidade dá alergia e crescimento emocional parece castigo medieval. Se dói, é trauma. Se exige, é abuso. Se confronta, é violência. E assim vamos todas muito feridas… mas convenientemente imunes à autorresponsabilidade. A dor virou álibi, não professora.
E isso, meu amor, não é trauma, é preguiça emocional com certificado de coitadinhas.
Experiência não é trauma. Experiência é tudo o que te acontece e te ensina.
Trauma é quando a dor fica presa ao corpo, à memória e ao medo.
Aprendizagem é quando a dor vira consciência, e deixa de te governar.
Há coisas que nos feriram. E há coisas que nos transformaram.
Nem tudo o que doeu foi uma condenação.
Algumas dores foram treino disfarçado de caos.
Experiência ensina.
Trauma prende.
O que tu fazes com a dor… define quem tu és. 🤍
Encerrar um capítulo com verdade é não levar o passado às costas como mala de mão.
É fechar a porta sem a bater, olhar para trás sem rancor e seguir sem precisar de provar nada a ninguém. E isso é a única forma de sair que não cria fantasmas atrás de nós. Porque quando vamos em paz, não deixamos pedaços pendurados no que passou, deixamos aprendizagem. 🤍
Bárbara Pereira ✍️
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