🚗 Gente que não sabe estacionar… e gente que estaciona mal na vida

Publicado em 28 de novembro de 2025 às 22:23

Há um fenómeno que me intriga profundamente, e que devia ser estudado pela NASA: as almas iluminadas que não sabem estacionar. Nem direito, nem torto, nem com fé, nem com Google Maps. Entram no parque de estacionamento como quem entra numa dimensão paralela, desligam 97% da coordenação motora… e zás:

Estacionam de lado.

Ocupam dois lugares, como se fossem um TIR espiritual em pleno parque de estacionamento do destino.

Ficam atravessadas como um Tetris mal jogado. E saem do carro com aquela confiança irritante de quem acha que fez uma obra-prima: “Está perfeito, ninguém dá por isso.”

Amor… dá por isso, sim. Dá tanto por isso que até dói. Incomoda o carro do lado, o espaço, o alinhamento de Júpiter e, principalmente… a nossa sanidade mental.

Mas pronto, as pessoas vivem na bolha da paz delas.

E eu fiz o que faço sempre: respirei fundo e pensei em mim, porque irritar-me já eu fiz anos suficientes.

A verdade é feia, mas é verdade: muitas vezes estacionamos a nossa vida exatamente assim.

Não no lugar certo.

Não com cuidado.

Não com intenção.

Só… encostamos e nos deixamos ficar.

Ficamos ali, meio tortas, meio desalinhadas, meio enfiadas num lugar que claramente não é o nosso, e convencidas de que “não faz mal, ninguém repara, eu estou bem”.

 

Spoiler: não, não estás. Se formos realmente honestas, estamos só estacionadas e a fingir que é conforto.

 

E às vezes, não é sobre estacionar mal. É sobre sabermos que merecemos um lugar VIP e mesmo assim encaixamos em qualquer lugar.

 

Porque dá trabalho sair, voltar atrás, pôr em “marcha atrás”, alinhar, corrigir, admitir que estavas torta, tentar outra vez.

 

E então dizemos aquelas frases clássicas de quem já desistiu antes de tentar:

Assim chega.”

“Está bom.”

“Não vou mexer mais que já tenho pouca paciência para isto.”

 

E pronto, damos por nós a viver como aqueles carros tortos: sem nos mexermos, sem nos encaixarmos em lado nenhum… e a atrapalhar o trânsito emocional da nossa própria vida.

Até que um dia, lá vem a vida, vestida de polícia de trânsito cósmico, com ar de quem não tem paciência para amadoras: “E é isto que tu achas suficiente para ti?

E dói responder. Porque a resposta quase sempre é: não.

 

Moral da história (versão Mulher Real)

Não deixes a tua vida estacionada “à pressa”, “como calha”, “onde der”, por medo, por preguiça ou por hábito.

Se tens volante, conduz.

Se tens travão, usa.

Se tens direção assistida, melhor ainda.

Se tens um destino, não fiques a meio do parque.

 

E se estacionaste torto, como todas nós já fizemos, entra no carro outra vez, sem dramas, sem vergonha e sem desculpas… e corrige.

 

Porque viver “mais ou menos” não é viver.

É ficar ali, parada, ocupando espaço e chamando-lhe estabilidade.

 

E, sinceramente?

Tu nasceste para circular, não para estagnar.

 

Bárbara Pereira ✍️

 

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