Há uma pergunta que nos assombra mais do que a falta de dinheiro na conta ou a chamada do número privado: "E se não der certo?" Dizemos isto como quem pressente tragédia. Como se o destino fosse uma bomba relógio pronta a explodir nas nossas mãos. Somos especialistas em sofrer por antecipação, doutoradas em criar cenários apocalípticos sem qualquer prova científica, apenas com base no “vai que…”.
Mas hoje quero fazer-te outra pergunta: "E se der certo?"
E tu já estiveres a sofrer por um futuro que ainda nem aconteceu?
Há gente que pergunta: “Mas e se não der certo?”
Como se o fracasso fosse uma coisa exótica, rara, quase uma doença tropical que só alguns apanham.
Meu amor… se não der certo, fazemos o que sempre fizemos: sobrevivemos.
A humanidade inteira é pós-fracasso.
Acordámos depois de noites péssimas, levantámo-nos depois de relações enterradas, fomos trabalhar depois de chorar na casa de banho e continuámos a pagar contas como se tivéssemos estabilidade emocional.
Se não der certo, não é tragédia. É uma terça-feira normal.
E agora a parte bonita: “E se der certo?”
Ah, aí sim pode ser perigoso: vais ter de te habituar à paz, vais ter de lidar com felicidade sem drama, vais ter de admitir que mereces as coisas boas que a vida te dá, e o pior… vais ter de deixar de justificar porque é que finalmente estás bem.
E nota da Mulher Real: O medo não é do que pode correr mal.
O medo é do que pode correr bem e nos obrigar a viver de verdade.
Pois é. Somos tão rápidas no pessimismo que sofremos antes, durante e depois, mesmo quando nada correu mal. Sofremos por medo, por hábito, ou porque o cérebro acha que prever o desastre nos poupa dor. Só que spoiler: não poupa nada. Só estraga o presente.
E o mais curioso?
Mesmo quando algo começa a ir bem, ficamos desconfiadas. Como se a felicidade fosse contrabando. Como se a vida viesse sempre com letra pequenina.
“Ai meu Deus, isto está a correr tão bem que alguma vai acontecer!”
Calma. Talvez o que vai acontecer és tu finalmente acreditares em ti.
🎭 O auto-boicote é aquele tipo tóxico que já conheces bem demais.
Sabes quando começas a gostar de alguém, mas já te preparas emocionalmente para a desilusão?
Sabes quando recebes uma boa notícia e pensas “hum, não vou festejar muito, não vá o universo ficar com inveja”?
Sabes quando finalmente tens paz… e estranhas a sensação?
Chamamos-lhe realismo, mas é só medo vestido de filosofia barata.
💛 Não é a vida que nos fere. É a nossa falta de fé no que pode correr bem.
Porque crescemos a sobreviver, não a confiar. Aprendemos a prever tempestades, não dias bonitos. Quando o sol aparece, nem sabemos onde pôr as mãos.
Mas repete comigo, com ironia e fé ao mesmo tempo:
E se der certo?
E se for bonito?
E se finalmente for a tua vez?
E se o caminho que te assusta for exatamente o caminho que te salva?
🌱 O que nos espera lá à frente não pede medo. Pede coragem. Mas não aquela coragem heroica de quem nunca treme. Pede a coragem quotidiana de quem diz: “Eu mereço tentar. Mesmo com medo. Mesmo sem certezas.”
Se vai doer? Talvez. Se vai valer a pena? Provavelmente. Se pode dar certo? Pode, pois.
Mas uma coisa é certa: chega de sofrer por coisas que ainda nem aconteceram.
Porque, sinceramente?
Já passaste por tanta coisa que correu mal e sobreviveste. Agora tens tudo para viver algo que finalmente corre bem.
E não vais estragar isso com medo.
Bárbara Pereira ✍️
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