Tenho visto muitas pessoas, em consulta e no dia a dia, chegarem até mim com o mesmo olhar vazio, o mesmo cansaço na voz, a mesma pergunta silenciosa: “Porque é que estou tão cansada, se nem fiz nada de extraordinário?”
E eu reconheço imediatamente.
Não é preguiça, não é falta de força nem tão pouco é drama.
É exaustão emocional e energética. É o corpo a dizer “chega” muito antes da pessoa se permitir parar.
Vivemos num tempo onde todo o mundo está cansado e ninguém sabe descansar.
Onde achamos normal sobreviver em modo automático, ignorar sinais, acumular dores e colocar o corpo e a alma no último lugar da lista.
O colapso mental não aparece de um dia para o outro. Ele vai sendo construído em pequenas desistências de nós mesmas: o treino que saltas, a refeição que empurras,o choro que engoles, o limite que deixas para amanhã,
a pressão que calas para não incomodar,
o “sim” que dizes para não desiludir ninguém.
Até que um dia… partes por dentro.
E não é porque és fraca. É porque és humana.
Quando o corpo diz “já não consigo” antes de tu dizeres “preciso de parar”, chamamos-lhe burnout, colapso emocional, esgotamento. Mas, na prática, é o teu sistema nervoso a puxar o travão de emergência quando tu insistes em carregar o impossível.
O colapso mental não nasce num dia.
Nasce no acumulado de noites mal dormidas, de limites ignorados, de “eu aguento”, de “é só mais um esforço”, de sorrisos que doem, de silêncios que gritam.
E a exaustão energética é o sinal mais honesto do corpo: “Estás a viver acima das tuas capacidades emocionais.”
Não é drama.
Não é falta de força.
Não é preguiça.
É fadiga do sistema nervoso.
🧠 O que é o colapso mental segundo a psicologia
Na psicologia, colapso mental é o ponto em que o sistema nervoso entra em sobrecarga extrema e perde a capacidade de regular emoções, pensamentos e respostas físicas.
Não é loucura. Não é fraqueza. Não é falha de caráter. É esgotamento profundo das funções psicológicas e fisiológicas, resultado de stress prolongado, pressão emocional constante ou ausência de descanso genuíno.
Um colapso mental acontece quando o cérebro permanece demasiado tempo em modo de sobrevivência (lutar, fugir ou paralisar), sem ter tempo para recuperar.
É o corpo a desligar funções não essenciais para tentar manter-te viva.
Na prática, significa:
• dificuldade em pensar com clareza
• falhas de memória e concentração
• incapacidade de lidar com estímulos simples
• choro frequente ou incapacidade de chorar
• ataques de pânico ou apatia total
• perda de energia física
• sensação de despersonalização (como se estivesses “fora” de ti)
• irritabilidade ou desligamento emocional
• exaustão que não melhora com descanso
O colapso mental é uma resposta biológica ao excesso, não uma escolha.
É o cérebro a dizer: “Eu já avisei mil vezes. Agora vou obrigar-te a parar.”
E na psicologia clínica, isto é tratado como um sinal de alerta de sobrecarga, que exige cuidado, presença, descanso, limites, suporte e, muitas vezes, acompanhamento profissional.
O colapso não define quem és.
Define apenas o quanto carregaste sozinha durante tempo demais.
🌑 Exaustão energética: quando a alma também se cansa
A exaustão energética não é misticismo.
É neurociência e é emoção.
Ela surge quando:
• dás demais e recebes de menos
• o que fazes já não tem significado
• vives para expectativas
• te responsabilizas por tudo
• suprimiste sentimentos por demasiado tempo
A alma cansa-se.
Cansa-se de se trair.
Cansa-se de sobreviver em lugares que lhe pedem para morrer por dentro um bocadinho todos os dias.
🧩 A ponte entre o colapso mental e a exaustão energética:
O colapso mental e a exaustão energética são diferentes, mas caminham lado a lado.
Um nasce no cérebro, o outro nasce na alma.
E quando os dois se encontram, o corpo literalmente desliga.
O colapso mental é fisiológico: é o sistema nervoso tão sobrecarregado que deixa de conseguir regular emoções, pensamentos e respostas físicas. O cérebro entra em modo de sobrevivência e tudo se torna “demais”.
A exaustão energética, por sua vez, é emocional e relacional: é o desgaste profundo que acontece quando dás mais do que recebes, quando te responsabilizas por tudo, quando vives para expectativas que não são tuas e deixas de ter espaço para existir.
Um é o limite do corpo.
O outro é o limite da alma.
Quando a exaustão energética se prolonga, ela alimenta o colapso mental.
E quando tens um colapso mental, esgota também a tua energia vital.
São dois lados da mesma verdade: ficaste forte demais durante demasiado tempo.
A ponte entre ambos é o abandono de ti mesma. ❤️🩹 A ponte de volta é o resgate: descanso, limites, presença, autocuidado e consciência.
O colapso diz “eu já não consigo”.
A exaustão diz “eu já não aguento sozinha”.
E juntas, pedem a mesma coisa: volta para ti.
🌿 A cura começa no reconhecimento
O colapso não é falha. É limite.
É o teu corpo a dizer: "Eu também existo, lembra-te de mim.”
A cura começa quando:
• aceitas que não consegues ser máquina
• dás permissão ao corpo para descansar
• dizes não onde antes dizias sempre sim
• priorizas o básico: dormir, comer, respirar
• reconheces que cuidar de ti é urgente, não opcional
• percebes que parar não é perder tempo, é recuperar vida
• pedes ajuda antes de te perderes
Ninguém renasce num corpo que está a cair. A cura exige descanso, presença, pausa.
✍️ Reflexão
O que no teu corpo já está a gritar que ignoraste?
O que tens tentado carregar sozinha
O que continua a drenar-te mesmo depois de tentares recuperar?
O que precisas largar para te reencontrares?
O que tens de fazer hoje para não te perderes amanhã?
🌻Se sentes que estás a chegar ao limite, não esperes pelo colapso. A minha terapia é o espaço seguro onde tu voltas a ti.
Bárbara Pereira
Psicóloga por vocação, terapeuta por alma
Deixa a tua estrela e ajuda a iluminar este espaço.
Adicionar comentário
Comentários