A tristeza nem sempre está a tentar ferir-te. Às vezes está a tentar proteger-te.

Publicado em 27 de novembro de 2025 às 00:15

Sabes aquela tristeza que aparece quando tentas mudar de trabalho, de relação, de ciclo? Aquela sensação pesada que diz: “Por favor, não mudes nada”? Não é preguiça nem drama. É o cérebro a defender-te do desconhecido.

🧠 Na psicologia, a tristeza tem uma função essencial: ajudar o corpo a conservar energia, processar perdas, preservar vínculos e manter-te ligada ao que o teu sistema emocional reconhece como seguro. Não é por acaso que dói deixar o que já foi tão familiar.

A tristeza guarda memórias. Guarda rotinas. Guarda lugares que um dia foram sinónimo de paz.

Ela não sabe que já cresces-te. Ela só sabe que, no passado, aquele lugar protegeu-te.

Por isso insiste em manter-te ali.

A tristeza prende, não porque te quer parar, mas porque acredita que te está a salvar.

 

O cérebro humano tem esta lógica invisível: se um lugar já te acolheu uma vez, pode acolher-te de novo. Mesmo que agora te magoe, mesmo que já não faça sentido.

 

A tristeza precisa de tempo para perceber que a segurança mudou de sítio.

 

🌿 A cura começa quando deixas de lutar contra a tristeza e começas a ouvir o que ela está a guardar: medo de perder estabilidade, medo de não ser suficiente, medo de falhar, medo de sair do conhecido para um futuro sem garantias.

 

Só depois de reconheceres isto é que consegues caminhar com a tristeza em vez de a deixar dirigir a tua vida.

 

✨ Porque a tristeza não é um sinal para voltar atrás. É um sinal para preparar o caminho antes de avançar.

 

É um luto e um renascimento ao mesmo tempo. É o corpo a despedir-se do que já não és, enquanto aprende a confiar no que ainda não conheces.

 

Há um momento inesperado no processo de cura: aquele em que percebes que a tristeza não precisa de ir embora para a tua vida avançar. Ela não desaparece de imediato só porque escolheste mudar. Pelo contrário, acompanha-te durante algum tempo, como uma criança assustada a caminhar ao teu lado. E é aí que surge maturidade emocional: quando consegues continuar o teu caminho sem esperar sentir-te pronta, sem exigir que a dor passe primeiro, sem pedir permissão àquilo que te dói para seguir. A vida não espera que as emoções se organizem, convida-te a caminhar com elas, até que aprendam que o novo também pode ser seguro.

🌧️ A tristeza nem sempre é queda. Às vezes, é proteção.
Ela aparece quando algo dentro de nós diz “não quero perder o que conheço” — mesmo que esse “conhecido” já não nos faça bem.

A tristeza segura-nos por medo de mudar, porque mudar implica deixar ir rotinas, pessoas, lugares e versões nossas que já foram casa.

Não é fraqueza.
É o teu corpo emocional a pedir tempo para se adaptar ao novo.

 

💬 Reflexão:

O que é que a tua tristeza está a tentar proteger em ti?

Segurança? Rotina? Reconhecimento? Pertencer a algures?

Estás a ouvi-la para a curar… ou a obedecer-lhe para não mudar?

 

🌻

Bárbara Pereira

Psicóloga por vocação, terapeuta por alma 🤍✨

 

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