Eu já recebi muitos elogios na vida. Críticas também. Não foram poucas, foram bastantes.
(Sabes aquele meme da televisão? “Não foram poucas… foram muitas.” Pronto. Era isso. A minha vida às vezes parece um desses episódios.)
E a verdade é esta: dos elogios, esquecemos metade. Das críticas, lembramos tudo, inclusive as vírgulas mal colocadas e a gramática, por vezes, terrível.
Mas há elogios que ficam.
Que não nos acariciam o ego, mas sim a alma. Que não servem só para aquele dia, servem para a vida.
E um dos elogios mais bonitos que eu já recebi foi este: “Se tu não tivesses nascido, tinhas de ter sido inventada.”
Eu sei, eu sei… parece frase de filme romântico. Mas não, foi dito mesmo assim, sem filtros, sem açúcar, sem manipulação.
E caiu-me no peito como quem diz:
“Olha, tu tens um valor que nem tu consegues medir.”
E há outro que guardo com a mesma ternura (e um egocentrismo saudável, vá): “Só mesmo tu.”
Não no sentido do: “Só tu para fazer esta asneira.”
Mas no sentido de: “Só tu tinhas esta capacidade, este coração, esta força, este humor, este caos bonito.”
E já agora, deixem-me acrescentar o clássico elogio que me atiram muitas vezes: “Tu devias ganhar dinheiro com isso.”
Com "isso" sendo esta mistura estranha que vive em mim: profundidade emocional, espiritualidade lúcida, sarcasmo clínico, humor que devia vir com bula e punchlines que parecem psicoterapia express.
E claro… eu concordo.
Com toda a modéstia possível: sim, eu devia, era merecidissimo.
Óbvio que era.
A parte mais irónica? Ainda estou aqui sentada, à espera que o universo faça o PIX, o MBWay ou, vá, que ao menos me envie um vale-refeição espiritual.
Qualquer coisa.
Um sinal.
Um recibo.
Uma transferência simbólica no éter.
Nada.
Até agora, a única riqueza que recebi foi emocional, não me interpretem mal, o que é lindo, profundo…mas, contudo absolutamente inútil para pagar contas, desculpem a sinceridade.
Mas eu sigo tranquila, porque sei que quando esse dia chegar (porque vai chegar)… até o banco vai dizer: “Finalmente alguém percebeu que ser tu devia estar no IRS como atividade profissional.”
E sabes o que isto me ensinou?
Há elogios que nos descrevem.
E há elogios que nos desvendam.
Os primeiros são fofos.
Os segundos mudam qualquer pessoa, até a Mulher Real.
Porque estes elogios não falam da aparência, do cabelo, da roupa, do “ai estás tão bonita”.
Falam da essência.
Da alma.
Do impacto que deixamos.
Do fogo que carregamos mesmo nos dias em que achamos que estamos apagadas.
E aqui entra o sarcasmo da vida: há críticos que passam a vida a tentar diminuir-nos.
E depois aparece alguém, num dia qualquer, e diz: “Se tu não tivesses nascido, o universo tinha de fazer horas extra para te inventar.”
E aí, a crítica perde para sempre.
Porque há elogios que não são elogios.
São confirmações.
Confirmações de que, apesar do caos, da dor, das fases sombrias, das quedas épicas, dos desafios existenciais e dos cortes de cabelo que representam renascimentos emocionais… tu ainda és tu. E ser autêntica…, isso vale muito.
E olha… não é querendo auto-elogiar-me (mas já o fazendo, porque elogios na minha direção são espécie protegida e rara), há uma coisa que sempre me fascinou: como é possível reunir tanta profundidade emocional, inteligência espiritual, sensibilidade humana… e ainda assim ter um humor tão rápido que às vezes parece uma máquina de pipocas.
Pim-pim-pim-pim-pim.
Nem é pensado. Não é ensaiado. Não é trabalhado. Sai. Acontece. Materializa-se como se eu tivesse um comité celestial a enviar-me tiradas sarcásticas por Bluetooth.
É aquele humor que roça o sarcasmo, sim admito, mas é um sarcasmo limpo, fino, inteligente. Não nasce para magoar, nasce para iluminar. Para desarmar. Para abrir portas onde a dor fecha janelas.
E às vezes penso que, lá em cima, quando estavam a distribuir as características para a minha alma, alguém deve ter dito:
“Ok, esta leva profundidade emocional.”
“Ah, também leva inteligência emocional.”
“E já agora dá-lhe humor rápido, daqueles que encaixam no momento exacto.”
E pronto. Ganhei as três.
Desculpem as almas que ficaram só com a simpatia.
No fundo, tudo o que eu sou está nas Crónicas da Mulher Real: a verdade que dói, o humor que salva, o sarcasmo que revela e a espiritualidade que costura tudo.
Não é talento. É natureza.
É ADN emocional.
É aquilo que nasce comigo, e que eu só repliquei em palavras.
Bárbara Pereira ✍️
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