Acordei e pensei "Bom dia, heroína da madrugada e mártir da Raposeira. 😅🥂"

Publicado em 9 de dezembro de 2025 às 20:02

Hoje faço anos. E à meia-noite fiz o que qualquer Mulher Real responsável faz: abri um champanhe Raposeira doce reserva como se estivesse a inaugurar uma nova era da humanidade.

Sou capaz, e sublinho capaz, de ter bebido um copinho. Talvez dois. Não vou confirmar nem desmentir. A justiça que investigue.

O que posso confirmar é que eu tenho uma barreira muito fina entre 'estou animada' e o 'estou a ver a vida em 4K espiritual', o estranho caso de estar com muito álcool no sangue.

 

E ontem… atravessei essa linha com elegância duvidosa.

 

Estava eu feliz, leve, com aquela alegria que começa nos pés e vai subindo devagar até às ideias ficarem… criativas, quando me surgiu no peito uma dúvida existencial de altíssimo nível:

 

Porque é que o álcool tem álcool?

Sim.

Eu perguntei isto ao ChatGPT.

À meia-noite.

No meu aniversário.

Com um copo na mão.

 

Isto diz muito sobre mim. E nenhum psicólogo está preparado.

 

Reparem na grandeza da questão. A pessoa está a comemorar o seu aniversário. Já sente a alma a flutuar nos azulejos da cozinha. 

 

Isto não é bebedeira.

Isto é filosofia líquida.

 

Mas a pergunta não era parva.

Era sincera.

Era do tipo: “Isto é tão bom… porque é que depois me deixa assim, meio tonta, meio fora do corpo, meio a ver a vida como um filme francês com legenda atrasada?”

 

Há qualquer coisa de profundamente bonita em fazer anos assim: entre a lucidez e a parvoíce, entre a maturidade e a tontura, entre o “já vivi tanto” e o “porque é que o álcool tem álcool?”.

 

E a verdade é esta: o álcool tem álcool porque a vida, muito raramente, nos deixa sentir alegria sem nos tirar um bocadinho do chão. É como se o universo dissesse:

Podes rir, mas segura-te. Não te encostes demasiado à estabilidade.”

 

E eu achei isto profundamente simbólico.

 

Porque não é só o champanhe.

Há muitas coisas na vida que nos fazem leves… e desorientadas ao mesmo tempo.

 

O amor.

A coragem.

As grandes decisões.

Os recomeços.

Os saltos que damos com medo, mas também com uma fé estranhamente calma.

 

Tudo o que nos expande também nos desequilibra um bocadinho. E talvez isso seja o sinal mais honesto de que estamos vivas.

 

A certa altura, entre uma gargalhada e uma tontura existencial, percebi outra coisa: não foi o álcool que me deixou assim, eu que estava finalmente leve.

 

Depois de tanta contenção.

Tanta responsabilidade.

Tanta força a fingir que não cansa.

 

Ontem, por uns momentos, eu não fui a Mulher que aguenta. Fui só a Mulher que celebra.

 

Que ri sem pedir licença.

Que faz perguntas estúpidas e maravilhosas ao mesmo tempo.

 

A verdade é que eu não fiquei tonta do álcool. Fiquei tonta de me permitir.

 

Permitir-me não controlar tudo.

Permitir-me não ser a adulta responsável por uns minutos.

Permitir-me despedir de tudo que não deu certo. 

Permitir-me celebrar a mulher que sobrevivi para ser.

 

No meio da noite, entre o brilho do copo e a luz serena da sala, pensei: quantas vezes na vida nos disseram que tínhamos de estar sempre sóbrias? Em tudo? No sentir, no decidir, no sonhar, no amar?

 

E ontem eu quebrei isso.

Com champanhe.

Com riso.

Com uma pergunta sem sentido que, no fundo, dizia tudo.

 

Talvez o álcool tenha álcool para nos lembrar que a vida também tem excessos.

E que, de vez em quando, precisamos deles para não enlouquecer de contenção.

 

E se ontem eu fiquei um bocadinho tonta…

foi só porque a vida, por uns minutos, deixou de pesar.

 

Hoje não fiz grandes balanços existenciais. Não escrevi listas de objetivos. Não fiz promessas ao universo.

 

Hoje eu só brindei. Sorri. Chorei emocionada. Ri-me de mim. E deixei-me estar num mundo à parte, esse mundo onde as perguntas não precisam de ter lógica para serem lindas.

 

E talvez seja isso fazer anos: permitirmo-nos, por umas horas, não perceber nada. E ainda assim… estar tudo certo.

 

E vou responder-te à incrível pergunta: 

O álcool tem álcool porque… a natureza é marota. As leveduras, esses micro-seres do bem, quando comem o açúcar da uva, do trigo ou da cevada, fazem a digestão e libertam… etanol e bolhinhas de dióxido de carbono. Ou seja, o álcool é basicamente o suspiro químico das leveduras felizes. 😄

 

Brinda à vida, sempre. Porque a tontura depois passa, a alegria, essa fica sempre na memória da leveza de existir autêntica. 

 

Bárbara Pereira ✍️ 

 

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