🔚 O controlo que cansou… e a vida que decidiu sozinha

Publicado em 26 de novembro de 2025 às 11:06

Eu passei metade da vida a tentar segurar as coisas pelas cordas. Relações a cair? Eu segurava. Situações que já não faziam sentido? Eu persistia. Trabalhos que me drenavam? Eu justificava e dava ainda mais. Planos que davam errado? Eu empurrava para a frente com fé e teimosia, como quem reanima um peixe morto com respiração boca-a-boca. (Sim, eu era esta pessoa. A salvadora de causas perdidas e cadáveres emocionais.)

Eu achava que controlar era prova de amor, de esforço, de maturidade.

Hoje percebo que, muitas vezes, era só medo. Medo de perder, medo de falhar, medo de admitir que aquilo já não era meu.

(E no fundo, era só o ego a gritar a plenos pulmões : “Não me tires as minhas ilusões, eu trabalhei nelas!”)

 

Porque controlar não é cuidar.

Controlar é tentar que a vida não mude… mesmo quando ela já nos está a avisar que devia ter mudado há muito tempo.

(E como é que a vida avisa? Com sinais subtis tipo burnout, dores de estômago, ansiedade e aquele olhar vazio às 8h da manhã.)

 

E é sempre assim: quanto mais seguramos, mais a vida começa a escorregar por entre os dedos, não porque está contra nós, mas porque está a empurrar-nos para outro sítio. Ou seja: não é drama, é mudança. Só que nós adoramos interpretar como tragédia.

 

A vida reorganiza quando nós não temos coragem.

Às vezes, pensamos que perdemos algo.

Na verdade, a vida só nos tirou o que não conseguíamos largar sozinhas.

(A vida é tipo aquela amiga brutalmente honesta que te diz “larga isso, estás a passar vergonha”.)

E aí acontece aquele momento mágico (e irritante): quando finalmente deixamos cair, não desmorona tudo. Só se reorganiza.

 

O mundo não acaba.

O coração não explode.

A vida não desaba.

Ela só abre espaço, e dá-nos aquilo que andávamos a impedir. (Sinceramente, era só isso que faltava: admitir que a vida sabe o que está a fazer melhor do que nós.)

🪶 O alívio vem sempre depois do medo.

Nós achamos que controlar é segurança.

Mas segurança verdadeira é confiar.

Confiar que aquilo que é nosso não precisa ser agarrado à força. Confiar que a vida sabe o que está a fazer, mesmo quando nos tira o tapete. (Sim, ela tira o tapete. Mas pelo menos coloca um chão melhor por baixo.)

 

Porque quando paramos de controlar, deixamos a vida trabalhar.

E, sinceramente? Ela trabalha muito melhor do que a nossa ansiedade. (Bem melhor. E sem drama, sem overthinking e com firmeza.)

 

E o mais curioso é que, quando paramos de segurar à força, a vida não nos castiga.

Pelo contrário, ela suspira de alívio, como quem diz: “Finalmente, menina! Estava difícil trabalhar contigo a empurrar para o lado errado.

 

Porque confiar não é desistir.

Confiar é dar espaço.

É fazer silêncio para ouvir o que o caminho está a tentar dizer. E às vezes o caminho está a gritar desde o início, mas nós estamos ocupadas demais a pôr fita-cola nas paredes a desabar.

 

Nós insistimos.

Insistimos até ao ridículo.

Achamos que é amor, mas muitas vezes é só teimosia emocional, ego ferido e o medo infantil de admitir que aquilo já acabou, e nós continuamos lá, a fazer figura de mármore emocional a tentar parecer fortes.

 

💬 “Eu controlo porque quero que resulte!

Não, amor.

Tu controlas porque tens medo de descobrir que mereces mais do que isso.

(Toma, com açúcar mascavado… mas ainda assim dói.)

 

📌 A lição mais inconveniente que a vida ensina: tudo o que tem de ficar, fica sem correntes. Tudo o que tem de ir, vai, mesmo que tu cries 365 planos de “como salvar isto”.

E o mais dolorosamente bonito é isto: a vida não nos tira nada que seja realmente nosso. Ela só remove aquilo que está a ocupar espaço do que está a chegar.

(Basicamente, faz limpeza emocional como quem despeja gavetas do lixo acumulado de 2017.)

 

🔧 Não confundir soltar com abandono

Soltar não é desistir.

É fazer manutenção da própria paz.

É olhar para algo e dizer: “Eu já fiz a minha parte. Agora, o resto não é comigo.

E isto, para quem sempre carregou o mundo às costas, parece uma rebeldia espiritual.

 

Porque controladores emocionais crónicos não são vilões, são guerreiros cansados. Gente que nunca soube confiar na vida, porque sempre teve de se desenrascar sozinha.

 

🧘‍♀️ Chega um dia em que a alma diz “não empurres mais”.

E quando esse dia chega, nada nos obriga a fazer força.

A energia vai embora.

A paciência evapora.

O coração silencia.

A mente desliga.

O corpo dói.

E a vida entra.

 

Sem pedir licença.

 

E organiza tudo à sua maneira.

Sem powerpoint, sem calendário, sem consultar a nossa opinião.

(Tão prática que devia ser contratada por empresas.)

 

💫 E de repente, chamamos destino ao que era só falta de coragem.

 

E no fundo, ainda bem.

Porque nós demoramos. Somos lerdas para admitir o óbvio. Precisamos de 'quebrar a cara' umas 27 vezes só para aceitar que o que dói não é “normal”.

 

Então a vida vem, tira-nos o volante e diz:

Senta-te. Eu conduzo.” E pela primeira vez na história, descansamos.

 

🕯️ Conclusão: a paz só chega quando deixamos de segurar onde já não há vida.

 

E é por isso que confiar dá medo.

Porque confiar é deixar a vida redesenhar o que achávamos que controlávamos.

Mas no fim… tudo se ajeita.

E o que fica, fica forte.

E o que vai, abre espaço.

 

No fundo, tudo o que era realmente nosso, nunca precisou que o salvássemos.

 

Bárbara Pereira ✍️ 

 

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