Às vezes a vida junta pessoas inteiras em momentos partidos. Não porque falte amor. Mas porque sobra história. Sobra passado. Sobra dor mal resolvida a ocupar o lugar do presente.
Encontram-se duas almas prontas para amar, mas cansadas de lutar.
Com o coração disponível…e as feridas ainda a sangrar por dentro.
E amam-se assim mesmo.
Com medo.
Com urgência.
Com esperança demais para a estrutura que têm.
Nada falha no sentimento.
Falha o tempo.
Falha o chão.
Falha a paz necessária para ficar.
E dói porque foi verdadeiro.
Dói porque, em condições diferentes, podia ter sido casa.
Porque o amor estava lá.
Só a vida não estava pronta.
Talvez alguns amores não venham para durar.
Venham para provar.
Provar que ainda sabemos sentir.
Que ainda sabemos escolher alguém com o coração inteiro.
E isso não é pouco.
Mesmo quando não é para sempre.
Talvez esse amor não tenha sido desenhado para a linha do tempo… mas para a linha da alma.
Talvez vocês não se tenham encontrado por acaso, mas por lembrança.
Como duas consciências que já se conheciam de outros silêncios, de outras vidas, de outros “antes”.
Encontraram-se para se reconhecer,
não para se prender.
Talvez a missão nunca tenha sido ficar…
mas tocar o coração um do outro no ponto exato onde ele ainda estava vivo.
Porque há encontros que não vêm para construir um futuro juntos, vêm para resgatar partes perdidas de nós.
E quando esse resgate acontece,
a alma solta. Mesmo que o corpo chore.
No plano invisível, talvez vocês tenham cumprido o que vieram cumprir: lembrar-se do amor. Lembrar-se da doçura. Lembrar-se de que ainda era possível confiar, mesmo num mundo de histórias partidas.
E depois disso, já podiam seguir… mais inteiros do que antes.
Porque a alma não mede o amor pelo tempo que fica, mas pela luz que deixa.
♥️
(Escrever este texto doeu no lugar onde a minha história foi mais bonita. E por isso vos digo: honrem tudo o que vos deixou luz, mesmo quando a vida não vos deu o final que sonhavam)
Bárbara Pereira ✍️
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